Aulas de Código, maravilha!...
Com certeza já todos passaram por aquela fase nas vossas vidas em que só vêm sinais de trânsito à frente, sonham com regras de cedência de passagem, e quando estão com as vossas (os) namoradas(os) só conseguem pensar em limites de velocidades de automóveis pesados de mercadorias com semi-reboque em estradas reservadas a automóveis e motociclos*....*(que, já agora, é de 80 km/h)
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Nunca passaram por isso?! Não?! A sério?!
E por aquela fase em que estão sentados no sofá a ver televisão, e começam a pensar: "hmmm... tou cá a ficar com uma fomeca!..." e levantam-se e vão à cozinha comer qualquer coisa , e depois voltam e já não estão com fome?!?! Por essa já passaram, de certeza...
Mas adiante...
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É verdade, meus amigos, isto de tirar a carta tem muito que se lhe diga. Primeiro, porque é sempre feio tirar coisas a alguém, vá-se lá pensar que a carta tem algo de importante, pode ser o dinheirito que a avó Dália manda todas as semanas ao Tó Mané, que estuda Engenharia Informática na Covilhã... Vai lá agora o moço ficar sem dinheiro para papel higiénico, ou outra coisa urgente que precise, sei lá... gilletes, pão de forma, fraldas... Ou pode ser um postal das Astúrias do Mirito pá namorada... Ou uma carta com antrax, endereçada a um certo autor de um certo blog na internet...sabe-se lá...
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Mas engane-se aquele que pensar que as aulas de código que eu frequento são aborrecidas ou inúteis (também, quem iria pensar isso?!). Eu adoro de paixão as aulas de código (deve ser por isso que já chumbei duas vezes). Parecendo que não, elas são um fórum cultural riquíssimo, com pessoas sempre prontas a dar a sua opinião e a partilhar com os demais um pouco do seu mundo...
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Fala-se de tudo um pouco: de greves; de acidentes cardiovasculares; operações ao fígado; o preço da carne de vitela do talho do sr. Luís; de culinária (neste âmbito, gostaria de agradecer a fantástica intervenção da sra. Lidía, na aula de sexta-feira... as suas atenciosas dicas sobre como não deixar o estrugido ficar com muita gordura foram, certamente, muito oportunas e valiosas); de presidentes de câmara em final de mandato; da política externa de Espanha, etc... às vezes chega-se a falar, imaginem, de regras de trânsito...
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Por isso mesmo, a aula da semana passada foi bastante conturbada... O instrutor divagava, há já mais de cinco minutos, sobre quais os painéis não triangulares que são obrigatórios em automóveis pesados, quando a sra. Mariana lhe chamou a atenção, já um pouco impaciente... O instrutor, percebendo a queixa e lamentando a inutilidade do discurso, que já se prolongava por tempo em demasia, retomou então o tema principal da conversa, ou seja, o relato do dia em que fora pela primeira vez com os putos à Bracalândia, que era o que realmente interessava aos presentes...
No fim da aula, até fui falar com ele, não deixando de o censurar: "Então Paulo? Isto que se passou aqui hoje foi um bocado aborrecido, tens consciência disso, não tens?!" (ele acenava timidamente e fitando o chão) "Mas tu vens para aqui falar de dísticos gráficos em carros?! Assim as pessoas vão pensar que tu queres, e pior, que te esforças, por elas fazerem o código..." ("sim, eu sei", dizia ele, ainda cabisbaixo, com as mãos juntas atrás das costas, fazendo lembrar ligeiramente um engenheiro sanitário a vistoriar respiradouros de esgotos).
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"Daqui a um tempo, se não pões cobro a essas inconveniências, vamos a ver, e temos aqui pessoas que vão conseguir passar os exames, que vão ser condutores, alguns deles, BONS, e que NÃO vão ver o seu dinheiro desperdiçado... É isso que queres, Paulo?" (ele fitava agora o tecto, reprimido, e eu reparei numa magistral borbulha que ele tinha debaixo do queixo, da qual nunca me tinha apercebido) "A sra. Mariana ia ficando mesmo chateada contigo, vá lá que depois o azedume dela esmoreceu quando lhes contaste o episódio engraçado do vómito do teu catraio mais novo depois da Montanha Mágica... Mas mesmo assim, Paulo, tem cuidado, espero que isso não se volte a repetir, 'tá?" (ele acenava continuadamente, agora mais calmo e animado, e depenicando algumas bolas de cotão da camisola, uns dos sinais universais significantes de resignação após uma reprimenda).
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Mas é verdade que isto de tirar o código mexe com as pessoas. Cedo torna-se numa obsessão. O nosso dia-a-dia torna-se num imenso teste de código da estrada... O convivío social, o trabalho, a cultura, as preferências musicais, a maneira de falar e, em certos casos, a higiene nasal, ficam irremediavelmente transformados.
Até a obra poética de Fernando Pessoa não escapa às vicissitudes das regras de trânsito. A maioria das pessoas não sabe ( só eu e mais dois ou três taberneiros de Alcacér do Sal), mas Pessoa tem uma segunda versão do Guardador de Rebanhos, de Caeiro. Essa versão corresponde exactamente, ao período em que o poeta tirava a carta. Eis uma célebre passagem
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"(...) Por isso quando num dia de calor
Me sinto triste de gozá-lo tanto.
E me deito ao comprido na erva,
E fecho os olhos quentes,
Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,
Sei que o peso bruto máximo para um autocarro articulado de três eixos é de 28 toneladas
e sou feliz."
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O nome desta nova colecção de poemas era, então,
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"O Guardador de Rebanhos,
que Possui um Par de Veículos de Tracção Animal, que Ganham Prioridade Sobre Todos os Veículos ao Sairem de uma Passagem de Nível"
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O nome parece, em primeira impressão, um bocado absurdo, mas depois entranha-se*.
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*Creio que, com isto, sentenciei em definitivo o eterno sucesso a este blog, pois com esta entrada cómica sobre Pessoa levantei bastante polémica. E, como se sabe (sobretudo quem conhece o Paulo Duarte), ninguém vai a lado nenhum se não levantar polémica.
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E, particularmente, em Portugal, a uma pessoa nunca é reconhecida verdadeiro valor a não ser que profane a figura e a obra de grandes vultos da poesia nacional. É o país que temos, amigos...
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Mas, voltando à questão da utilidade da tiragem da carta, eu inquiri algumas pessoas acerca deste assunto antes de me inscrever nas aulas.
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Perguntei à D. Gisela (que faz, por sinal, um óptimo rancho à portuguesa e cujo marido teve alta do ataque de cirrose a semana passada, e já está em casa... a ver se lhe mando qualquer coisa... uma garrafa de bagaço, ou assim...):
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- Diga-me, D. Gisela, porque é que decidiu tirar a carta?
Ela responde sabiamente com uma frase de pura axiomática:
-Então, eu ando a tirar a carta, que é p'ra ver se deixo de vir a pé e de cravar boleias p'rás aulas de código!!!
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Achei que era uma boa razão, e cinco minutos depois, já estava inscrito nas aulas...
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Mas, mesmo assim, amigos, ponderem bem a vossa decisão em tirar a carta... Até porque não vá o Tó Mané ficar sem dinheiro p'rás cotonetes...
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A título de curiosidade, sabiam que um dos efeitos hormónicos provocados pela cirrose é o aumento das mamas dos homens?
É sempre bom aprender coisas, e esta curiosidade surge como uma lufada de are fresco (e de hormonas) após um texto absurdo e imcompreendido (só será compreendido no próximo século, altura em que serei reconhecido como génio e haverá disputas mundias para escrever epitáfios no meu túmulo). É o nosso cantinho cultural.
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Por isso, meu amigo, se anda metido nos copos, o melhor é ir comprando já uns soutiens...


7 Comments:
Ok..mt bem...sim senhor!
Este sim é o post k te vai tornar numa figura publica. Daki a nada tas na capa da lux a falar da decoraçao do teu 4o e como a gaja da loja dos tecidos foi mt simpatica a explicar-te a mistura de texturas e cores! Lol
Admiro este humor mt tipico teu e aprovo-o! Devias ir contar uma destas no Levanta-te e ri! Smp ganhavas uns trocos e se calhar fazias mlhr figura k alguns k la estao...
Parabéns por teres passado as tao famosas aulas de codigo e ve la se agora nao deixas estragar o estrugido...!
E para finalizar, é claro k nao nos podiamos eskecer o famozississimo Paulo Duarte k ficara para smp gravado nas nossas memorias como O Fantasma das Oficinas!
Nao sei pk mas inda hei-de escrever um livro sobre isso...
Ptt mal e good going!
mas antes antes.. estranha-se*
=)
gostei imenso..
ah o k tu passast.. só deus sabe e mesmo ele se arrepia..
mas agr tens um enorme e reluzente ZERO (0) pa enfiar em certos rectos.. mais uma vez parabéns..*
agr falta a parte fácil xD
definitivamente foi o teu texto que mais gostei d ler
pedron.. as paredes têm ouvidos..
eheh
abraço*
Man tenho d concordar com os restantes comments, desta vez...
Sei o k passaste e so fisseste o codigo pois tinhas a preparação psicologica para aguentar frustações de mais de 3 meses em aulas d projecto. pá o teu futuro é fazer post e n maketes. Mas olha CAGA NISSO.
gostei mesmo muito =)
podes e ir postando mais .... sim?
beijinho***
Não sei o que tens a dizer das minhas maquetas. Não tens qualquer razão para as criticar, pá...
Até porque eu nunca chegei a acabar nenhuma...
mas numa coisa tens razão amigo (colega, vá): há mais na vida do que cortar esferovite... digo-te mais: há mais na vida qo que cortar esferovite as 4 e meia da manhã, na mesma sala onde está um tipo embrulhado em papel higiénico...
há mais na vida...
jay-c!, a palavra "famosíssimo" não tem nenhum zê.
Ok Anonymous, vou ver se para a próxima não me engano a escrever, tá?
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